O simples plantio de árvores nativas não é suficiente para garantir a recuperação funcional da Mata Atlântica, um dos biomas mais biodiversos e ameaçados do planeta, que hoje mantém cerca de 31% de sua área original coberta por floresta. Estudo científico indica que áreas reflorestadas ainda estão longe de apresentar o funcionamento ecológico da floresta original, mesmo após anos de intervenção.
A pesquisa, publicada no periódico britânico Journal of Applied Ecology, referência internacional na área de ecologia, foi conduzida pelas cientistas Débora Cristina Rother, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e Carine Emer, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e do Instituto Juruá.
O trabalho aponta que a recuperação efetiva do bioma depende do aumento da diversidade de espécies vegetais e da presença de animais responsáveis pela dispersão de sementes.

De acordo com o estudo, áreas que passaram por processos de restauração continuam diferentes das florestas nativas. Nessas regiões, as plantas apresentam baixa conectividade ecológica, o que compromete o funcionamento natural da floresta. Espécies pioneiras, com sementes pequenas, conseguem se espalhar com maior facilidade, enquanto plantas raras, de sementes maiores, permanecem isoladas. Essa limitação está associada, principalmente, à ausência de aves e pequenos mamíferos que atuam na dispersão de sementes.
Para analisar essas relações, as pesquisadoras utilizaram a chamada teoria de redes, metodologia que avalia as interações entre plantas e animais. Nesse modelo, cada espécie é representada como um ponto conectado a outros por meio dessas interações. Os resultados mostram que áreas restauradas, mesmo após anos, ainda não atingem os níveis de conectividade e diversidade observados em florestas maduras, reforçando que o plantio de mudas, isoladamente, não garante a recuperação do bioma.
O estudo destaca que a restauração da Mata Atlântica exige ações complementares ao plantio de árvores. Entre as medidas recomendadas estão a combinação de espécies generalistas com espécies raras de sementes grandes, o incentivo à presença de aves e mamíferos, como a instalação de poleiros artificiais, a refaunação de animais em áreas onde desapareceram e a produção de mudas de espécies pouco disponíveis no mercado, pertencentes a grupos ecológicos típicos de florestas maduras, como secundárias tardias e climácicas.
Essas estratégias fortalecem a integração entre áreas restauradas e fragmentos de vegetação nativa, além de favorecer processos ecológicos essenciais, como a sucessão natural, a polinização e a dispersão de sementes. O estudo também ressalta a importância de políticas públicas voltadas à diversidade na restauração florestal, em alinhamento com a Década das Nações Unidas para a Restauração de Ecossistemas.
Segundo as autoras, a recuperação efetiva da Mata Atlântica depende da articulação entre ciência, produção de mudas e conservação da fauna, para que áreas reflorestadas e fragmentos remanescentes formem paisagens conectadas, capazes de sustentar a biodiversidade e os serviços ambientais do bioma.

CBH Baixo Tietê
Os Comitês de Bacia Hidrográfica (CBHs) do Estado de São Paulo foram criados pela Lei Estadual nº 7.663/1991, popularmente conhecida como “Lei de Águas Paulista”, que instituiu a Política Estadual de Recursos Hídricos e estabeleceu o Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SIGRH), do qual os Comitês são parte integrante.
O CBH Baixo Tietê foi instalado em 26 de agosto de 1994, sendo o segundo comitê de bacia hidrográfica criado no Estado de São Paulo.
Composto por uma plenária tripartite, ou seja, Estado, prefeituras e sociedade civil, conta com 33 membros que representam 42 municípios da foz do Rio Tietê. Sua sede está localizada no SP ÁGUAS, em Birigui, onde funciona a Secretaria Executiva.
Por Núcleo de Planejamento e Comunicação Integrada do CBH-BT.
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