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Painel de Monitoramento de Agrotóxicos permite acompanhamento dos recursos hídricos no país

Plataforma reúne dados de bacias hidrográficas brasileiras e amplia transparência sobre a presença de agrotóxicos em rios e cursos d’água.

O Governo Federal lançou, no dia 11 de maio, o Painel de Monitoramento de Agrotóxicos nos Recursos Hídricos, plataforma que permitirá acompanhar a presença dessas substâncias em rios e cursos d’água de diferentes regiões do país. A iniciativa ganha relevância também para a região do Baixo Tietê, marcada pela forte atividade agrícola e pela importância estratégica de seus recursos hídricos para abastecimento, produção e manutenção dos ecossistemas.

Desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), com base em metodologia e monitoramento elaborados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Meio Ambiente (Embrapa Meio Ambiente), o painel reúne 213 amostras coletadas em bacias hidrográficas brasileiras e disponibiliza informações voltadas à avaliação de risco para proteção da vida aquática.

A plataforma foi criada para ampliar a transparência e o acesso às informações ambientais, além de apoiar gestores públicos, pesquisadores, comitês de bacias hidrográficas e a sociedade civil na tomada de decisões relacionadas à qualidade da água e ao monitoramento ambiental.

A ecóloga e representante da sociedade civil no CBH-BT, Adriana Castro, destaca que a ferramenta representa um avanço importante para regiões com forte presença do agronegócio, como o Baixo Tietê. “O painel representa um avanço importante para o monitoramento ambiental no Brasil e, em especial, na região do Baixo Tietê, pois amplia o acesso a dados técnicos e fortalece a transparência sobre a presença de agrotóxicos nos recursos hídricos. Essas informações são fundamentais para subsidiar políticas públicas, apoiar pesquisas e contribuir para a preservação da vida aquática e da qualidade da água”, afirma.

A iniciativa integra ações do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (PRONARA), instituído pelo Decreto nº 12.538/2025, e consolida uma base nacional de dados ambientais capaz de subsidiar políticas públicas fundamentadas em evidências científicas e fortalecer instrumentos de prevenção, monitoramento e controle ambiental.

Atualmente, o painel reúne dados de coletas realizadas desde 2024, totalizando mais de 10,4 mil análises em 63 pontos distribuídos pelo território nacional. Os levantamentos identificaram a presença de 49 tipos de agrotóxicos em cursos d’água, com frequência geral de detecção de 7,2%, índice considerado baixo diante do volume de análises realizadas.

O sistema também reforça a atuação integrada dos órgãos responsáveis pela regulação e fiscalização dos agrotóxicos no país. Nesse processo, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) coordena o registro dos produtos; a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realiza a avaliação toxicológica e dos riscos à saúde humana; e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) conduz a análise de risco ambiental, incluindo impactos sobre fauna, flora, recursos hídricos e ecossistemas.

Lançamento do Painel de Monitoramento de Agrotóxicos nos Recursos Hídricos reuniu o ministro do MMA, João Paulo Capobianco, a ministra do MDA, Fernanda Machiaveli, e outras autoridades – Imagem: Divulgação

Gestão das bacias hidrográficas

Para especialistas da área ambiental, o monitoramento contínuo será fundamental para compreender  a relação entre o uso e ocupação do solo versus a ocorrência de agrotóxicos nos recursos hídricos, possibilitando identificar áreas prioritárias e orientar medidas preventivas e corretivas.

O foco do painel está nos recursos hídricos superficiais, permitindo acompanhar a presença de agrotóxicos em rios e cursos d’água ligados às principais regiões produtoras do país. A metodologia considera as respectivas bacias hidrográficas e áreas de drenagem, integrando informações sobre uso do solo, dinâmica hidrológica e presença de substâncias químicas na água.

“No contexto do Baixo Tietê, onde a produção agrícola exerce forte impacto na economia regional, o acesso a esse tipo de informação poderá contribuir para o fortalecimento das políticas de preservação ambiental e para a gestão sustentável dos recursos hídricos, promovendo o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e conservação ambiental”, destaca Adriana.

Herbicidas aparecem com maior frequência nas análises

Os 63 pontos de monitoramento estão distribuídos em todos os estados brasileiros, levando em consideração critérios como representatividade agrícola, vulnerabilidade ambiental e uso predominante da terra nas bacias hidrográficas avaliadas.

Entre as substâncias com maior frequência de detecção estão herbicidas como S-metolacloro, ametrina, tebuthiuron e atrazina, amplamente utilizados em culturas como milho, cana-de-açúcar e soja, atividades presentes em diversas áreas do interior paulista com destaque para lavoura canavieira na região do Baixo Tietê.

Entre os inseticidas, o acefato apresentou maior frequência de ocorrência nas análises. A substância é empregada no controle de insetos em culturas como algodão, soja, hortaliças e cítricos. Já entre os fungicidas, a azoxistrobina foi a que mais se destacou, sendo utilizada em culturas agrícolas como soja, milho, café, frutas e hortaliças.

Os dados também demonstraram diferenças entre os usos da terra monitorados. Áreas associadas à cultura de cítricos apresentaram maior frequência de detecção de agrotóxicos, enquanto regiões de pastagem registraram os menores índices.

  • Conheça o Painel de Monitoramento de Agrotóxicos. Clique aqui.

Por Núcleo de Planejamento e Comunicação Integrada do CBH-BT.

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