O Hidrovias do Brasil tem intensificado investimentos em tecnologia e inteligência artificial para enfrentar os impactos da crise hídrica que afeta o país. Mesmo detentor de uma das maiores reservas de água doce do planeta, o Brasil registrou, ao longo de 2025, 503 municípios em situação de seca severa ou extrema, além de oito estados com 100% do território sob escassez de chuvas em novembro, cenário que compromete diretamente a navegabilidade das hidrovias.
Diante desse contexto, a companhia revisou seus fatores de risco climático e passou a adotar ferramentas de gestão capazes de antecipar impactos nos corredores logísticos. Segundo o CEO da empresa, Décio Amaral, tecnologias de monitoramento e análise de dados permitem maior previsibilidade das condições de navegação. “No Paraguai e na região Norte, por exemplo, estiagens reduzem o nível dos rios e impactam diretamente as operações”, afirmou.
A estratégia inclui ações preventivas, como o monitoramento contínuo de dados hidrológicos e meteorológicos, além de medidas mitigadoras, como a avaliação da navegabilidade em períodos de estiagem e a realização de dragagens para manutenção da profundidade dos canais.
O transporte hidroviário, considerado um dos modais mais sustentáveis, apresenta baixa emissão de poluentes. Dados da Coalizão dos Transportes indicam que o setor responde por cerca de 1,8% das emissões brutas do transporte. Em 2023, foram registradas 2,76 milhões de toneladas de emissões na navegação interior e cabotagem, uma redução de quase 8% em relação a 2021.

Eficiência energética do modal hidroviário
Levantamento do Ministério de Portos e Aeroportos aponta que a eficiência energética das barcaças pode ser até 78% superior à do transporte rodoviário e mais de 30% acima do ferroviário, considerando o consumo de combustível por tonelada transportada. Na prática, comboios operados no Norte do país, com até 35 barcaças, equivalem a cerca de 1.750 caminhões ou seis trens de 120 vagões, com emissões de CO₂ até 77% menores que as do modal rodoviário.
Apesar das vantagens, o modal hidroviário ainda representa apenas 5% do transporte de cargas no Brasil, segundo dados oficiais. O país conta com cerca de 20,4 mil quilômetros de vias navegáveis utilizadas comercialmente, embora o potencial estimado alcance 42 mil quilômetros.
Para ampliar a competitividade, a empresa investe no desenvolvimento do chamado “supercomboio”, que poderá operar com até 50 barcaças, aumentando a capacidade de carga e reduzindo ainda mais as emissões. Paralelamente, sistemas baseados em inteligência artificial permitem prever, com até 15 dias de antecedência, as condições de navegação, favorecendo a constância do serviço e ampliando a eficiência operacional.
De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a movimentação de cargas no Arco Norte, região que abrange portos e estações nos estados do Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Maranhão, cresceu 57% entre 2020 e 2024, atingindo 57,6 milhões de toneladas, o que evidencia o potencial de expansão do setor.
Entre os principais desafios apontados pela companhia está a necessidade de avanços regulatórios e investimentos em infraestrutura. A dragagem de manutenção dos rios, segundo o CEO, é fundamental para garantir a navegabilidade ao longo de todo o ano. “Não se trata de uma obra nova, mas de conservação essencial para assegurar previsibilidade e competitividade ao setor”, destacou.
A inclusão de mecanismos de compartilhamento de riscos em contratos de concessão também é apontada como estratégia para ampliar a segurança jurídica e incentivar novos investimentos em infraestrutura hidroviária no país.
Tietê-Paraná amplia logística no Baixo Tietê

Com 2.400 quilômetros de vias navegáveis, a Hidrovia Tietê-Paraná interliga os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Minas Gerais, Goiás e São Paulo, conectando áreas estratégicas de produção a portos marítimos e aos principais centros do Mercosul. A estrutura conta com 30 terminais intermodais e atende uma área de aproximadamente 76 milhões de hectares, onde é gerada parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, consolidando-se como um importante corredor de exportação e abastecimento interno.
No trecho paulista, a hidrovia compreende cerca de 800 quilômetros navegáveis nos rios Rio Tietê, Rio Piracicaba e Rio São José dos Dourados, com início na região de Mogi das Cruzes e término em Pereira Barreto. No município está localizado o canal artificial Deoclécio Bispo dos Santos, conhecido como Canal de Pereira Barreto, com 9,6 quilômetros de extensão, responsável por interligar os reservatórios das usinas hidrelétricas de UHE Três Irmãos e UHE Ilha Solteira, por meio do Rio São José dos Dourados.

No Baixo Tietê, as intervenções em andamento no canal de navegação de Nova Avanhandava envolvem o desmonte técnico de rochas submersas e a ampliação da calha de navegação, que terá profundidade final de 3,5 metros e largura de 60 metros ao longo de 16 quilômetros de extensão. As obras devem garantir maior segurança e fluidez ao tráfego hidroviário, além de ampliar a flexibilidade operacional das usinas de Três Irmãos e Ilha Solteira, reduzindo conflitos entre a geração de energia e a navegação.
Além do impacto estrutural, a Hidrovia Tietê-Paraná fortalece a malha logística nos estados atendidos, sendo uma rota estratégica para o escoamento da produção agrícola e industrial. O modal também se destaca pela menor emissão de gases de efeito estufa em comparação com outros meios de transporte, reforçando sua importância ambiental e econômica no cenário logístico nacional.
Matéria adaptada pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Baixo Tietê (CBH-BT) a partir de conteúdo publicado pela Exame.
Por Núcleo de Planejamento e Comunicação Integrada do CBH-BT.
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