Um estudo conduzido pela Iowa State University, em parceria com a Kemin Industries e apresentado na edição de 2026 da American Dairy Science Association (ADSA), avaliou como a qualidade microbiológica da água pode influenciar indicadores de saúde e eficiência produtiva de vacas leiteiras. Os resultados apontaram benefícios associados ao tratamento da água contaminada experimentalmente, embora não tenham sido observadas diferenças no volume de leite produzido.
O experimento envolveu 24 vacas da raça Holandesa em meio da lactação, distribuídas em três grupos. O primeiro recebeu água limpa; o segundo, água contaminada intencionalmente com fezes bovinas; e o terceiro, água submetida à mesma contaminação, mas posteriormente tratada com dióxido de cloro, na concentração de 10 mg/L.
Durante a pesquisa, os cientistas acompanharam indicadores como consumo de água e alimentos, produção de leite e parâmetros relacionados à saúde dos animais.
Resultados do tratamento
A análise mostrou que o tratamento com dióxido de cloro reduziu em 27% a quantidade de bactérias aeróbias presentes na água contaminada. Outro resultado relevante foi a redução de 72% na contagem de células somáticas do leite em comparação com o grupo que recebeu água contaminada sem tratamento.
Na pecuária leiteira, a contagem de células somáticas é utilizada como indicador da saúde da glândula mamária das vacas e auxilia na identificação de processos inflamatórios, como a mastite.
Apesar dessas diferenças, a contaminação experimental não provocou alterações no consumo de água nem no volume de leite produzido. As vacas que receberam água tratada, por sua vez, apresentaram melhora na relação entre a produção de leite e a quantidade de alimento consumida, indicando maior eficiência alimentar nas condições avaliadas.
Esse indicador é relevante para a atividade leiteira porque permite analisar a capacidade dos animais de converter o alimento em produção. Como a alimentação representa uma parcela importante dos custos de uma propriedade, ganhos de eficiência podem favorecer o desempenho econômico da produção.
Qualidade da água e saúde animal
A contagem de células somáticas é utilizada como indicador da saúde da glândula mamária e auxilia no monitoramento de problemas como a mastite. Alterações nesse parâmetro, porém, precisam ser interpretadas em conjunto com outros indicadores sanitários e de qualidade do leite.
Os resultados sugerem que a qualidade microbiológica da água pode integrar as estratégias de prevenção e controle sanitário nas propriedades leiteiras. A pesquisa, entretanto, não demonstra que o tratamento da água seja suficiente para prevenir doenças ou garantir ganhos de produtividade em escala comercial.
Por envolver um grupo de 24 animais e condições experimentais específicas, o estudo também não permite concluir que os mesmos resultados serão reproduzidos em todos os rebanhos. A aplicação prática depende de fatores como as condições da água utilizada, o manejo, a higiene das instalações e as características de cada sistema de produção.
A pesquisa reforça a importância de incluir a avaliação da água nas práticas de manejo das fazendas leiteiras, ao lado da nutrição, da genética e do acompanhamento sanitário. A análise periódica da qualidade microbiológica e a adoção de medidas adequadas de higiene podem ajudar a identificar riscos e oportunidades de melhoria na produção.
- Leia o estudo completo em Production and health responses of lactating dairy cows to feces-contaminated drinking water and chlorine dioxide treatment
- Resultado da pesquisa apresentados pela Kemin Indutries em How Water Quality Helped Reduce Somatic Cell Count
Por Núcleo de Planejamento e Comunicação Integrada do CBH-BT.
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