O estado de São Paulo registrou 45 focos de calor em setembro de 2026, o menor número para o mês desde o início da série histórica, em 1998. O resultado representa uma redução de 96% em relação aos 1.011 focos contabilizados em setembro de 2025 e estabelece um novo recorde para o período.
A menor marca anterior para setembro havia sido registrada em 2009, com 148 focos, segundo dados do sistema BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O resultado dá sequência ao cenário observado em agosto, quando o Estado também alcançou o menor número de focos de calor para o mês em toda a série histórica, com 171 ocorrências.
A redução nos dois meses ocorreu em um período de condições meteorológicas favoráveis, com maior disponibilidade de umidade e menor quantidade de vegetação seca para a propagação do fogo. O cenário também coincide com a manutenção e a intensificação das ações de prevenção, monitoramento e fiscalização realizadas pelo Governo de São Paulo.
Segundo o diretor de Proteção e Fiscalização da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), André Rocha, os números reforçam a importância da atuação integrada e da continuidade das medidas preventivas.
“Os números de setembro mostram um resultado muito positivo para São Paulo e confirmam a importância de manter uma atuação permanente durante a temporada de estiagem. As condições climáticas contribuíram para reduzir a possibilidade de propagação do fogo, mas esse cenário também encontra um Estado mais preparado, com monitoramento contínuo, fiscalização, prevenção e equipes mobilizadas em áreas prioritárias. O novo recorde é motivo de satisfação, mas também reforça a necessidade de seguirmos atentos e atuando de forma preventiva”, afirma.
Redução dos focos de calor no Baixo Tietê
O Brasil passou por um inverno atípico em praticamente todo o território nacional. A região do Baixo Tietê, em Araçatuba (SP), registrou índices pluviométricos expressivos em setembro de 2026, com acumulado de 107,40 milímetros, segundo dados do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (CIIAGRO).
O último boletim publicado em setembro pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) apontou que os índices de chuva no interior da Região Sudeste superaram 90 milímetros.
Segundo a ecóloga Adriana de Castro Silva, representante da sociedade civil no Comitê da Bacia Hidrográfica do Baixo Tietê, a umidade do solo e da vegetação pode ter contribuído para a redução dos focos de calor com potencial para evoluir para incêndios.
“Em uma análise preliminar, posso inferir que o solo e a vegetação mais úmidos devam ter contribuído para a redução dos focos de calor que poderiam evoluir para incêndios. Uma análise mais aprofundada, pautada em pesquisa, seria interessante para analisar essa dinâmica”, afirmou.
A SP Águas disponibiliza à população dados de postos pluviométricos com registros de chuvas diárias, mensais e por período. As informações podem ser consultadas por bacia hidrográfica, identificação do posto, município ou rio, por meio da plataforma Pluviométricos da SP Águas.
Por Núcleo de Planejamento e Comunicação Integrada do CBH-BT.
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