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Boias inteligentes reduzem em 91% proliferação de algas no Rio Tietê

Tecnologia instalada em Sabino utiliza ondas ultrassônicas e não emprega produtos químicos no tratamento da água

Após dois meses de operação, as 14 boias inteligentes instaladas em um trecho do Rio Tietê, em Sabino (SP), reduziram em 91% a proliferação de algas na água. O resultado faz parte do projeto-piloto desenvolvido pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil).

As boias estão em funcionamento contínuo desde julho, em uma área de aproximadamente 960 mil metros quadrados do Córrego do Esgotão, que banha a Praia Municipal de Sabino. Técnicos da Cetesb e da Semil realizaram uma vistoria no local para avaliar os primeiros resultados da tecnologia.

Segundo o presidente da Cetesb, Thomaz Toledo, a escolha de Sabino levou em consideração o histórico de florações de algas na região, a disponibilidade de dados de monitoramento e a importância do trecho para atividades de lazer, turismo e pesca.

Como funciona

As boias utilizam ondas ultrassônicas de baixa potência, emitidas continuamente em frequências específicas. A tecnologia dificulta a permanência das algas na superfície da água e reduz o acesso à luz necessária para a realização da fotossíntese. Com menor disponibilidade de luz, as algas deixam de se desenvolver, afundam e passam por decomposição natural.

O sistema não utiliza produtos químicos. De acordo com as informações do projeto, a tecnologia empregada não libera toxinas e não provoca impactos à fauna, à flora ou às pessoas.

Além do controle da proliferação de algas, as boias contam com sensores que permitem o monitoramento das condições da água em tempo real. A ferramenta também possibilita o acompanhamento da qualidade da água utilizada para atividades de lazer.

Imagem: Boias inteligentes (Divulgação)

Impactos no Rio Tietê

A proliferação de algas e plantas aquáticas é um problema registrado em diferentes trechos do Rio Tietê e pode comprometer atividades como pesca, navegação e turismo. Em Sabino, a intervenção busca reduzir esse impacto em uma área de importância para o uso recreativo e para a economia local.

Com os resultados iniciais considerados positivos, o Governo do Estado prevê avaliar a expansão da tecnologia para outros municípios paulistas que enfrentam problemas semelhantes.

A iniciativa integra um conjunto de ações voltadas à recuperação e ao monitoramento do Rio Tietê, mostrando como novas tecnologias podem ser utilizadas de forma complementar às medidas de saneamento, controle da poluição e gestão dos recursos hídricos.

Segundo a ecóloga Adriana de Castro Silva, membro representante da sociedade civil no CBH-BT, o verão será o período mais adequado para avaliar a eficácia da tecnologia. Nessa época, a temperatura da água do Tietê é mais elevada e os dias são mais longos, aumentando a incidência de luz solar e favorecendo a fotossíntese. Outro fator que pode interferir diretamente nesse processo é a ocorrência de chuvas prolongadas. Esse conjunto de condições favorece a ocorrência de processos de eutrofização, influenciados tanto por fatores naturais quanto por ações antrópicas.

Por Núcleo de Planejamento e Comunicação Integrada do CBH-BT.

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