O Governo de São Paulo, por meio da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), iniciou, em 20 de julho, a operação de 14 boias inteligentes no Córrego do Esgotão, um afluente direto do Rio Tietê, no município de Sabino (SP) que integra a área inundada do reservatório de Promissão (UHE Mário Lopes Leão). O sistema utiliza ondas ultrassônicas para reduzir a proliferação de algas que provoca a chamada “nata verde”, além de monitorar continuamente a qualidade da água. A iniciativa integra o Programa IntegraTietê e recebeu investimento de aproximadamente R$ 9 milhões.
A tecnologia, desenvolvida na Holanda e utilizada em cerca de 60 países, funciona com energia solar e possui inteligência embarcada para ajustar automaticamente a frequência e a intensidade das ondas de acordo com as condições da água. O sistema também conta com uma estação meteorológica capaz de acompanhar dados como chuva, vento e temperatura do ar.
Tecnologia sem uso de produtos químicos
As boias emitem ondas ultrassônicas de baixa potência, 24 horas por dia, em frequências específicas que dificultam a permanência das algas na superfície da água. Com menos acesso à luz (inanição lumínica) necessária para a fotossíntese, as algas deixam de se desenvolver, afundam e se decompõem naturalmente.
O método não utiliza produtos químicos e, segundo a tecnologia empregada no projeto, não libera toxinas nem provoca impactos à fauna, à flora ou às pessoas. A estrutura foi dimensionada para atuar em uma área de aproximadamente 960 mil metros quadrados, equivalente a mais de 130 campos de futebol, e cerca de 7 milhões de metros cúbicos de água, volume suficiente para aproximadamente 2.800 piscinas olímpicas.
Distribuídas ao longo do Córrego do Esgotão, as boias formam uma rede de cobertura sobre o trecho que influencia a Praia Municipal de Sabino, um importante espaço de lazer e turismo da região.

Monitoramento
Além do controle da proliferação de algas, os equipamentos funcionam como estações automáticas de monitoramento ambiental. Sensores acompanham continuamente parâmetros como temperatura da água, oxigênio dissolvido, pH, turbidez, clorofila e ficocianina.
Os dados permitirão à Cetesb acompanhar as condições ambientais do trecho e produzir informações para subsidiar estudos técnicos e políticas públicas relacionadas à qualidade dos recursos hídricos.
Moradores e visitantes também podem consultar gratuitamente as condições de balneabilidade da Praia Municipal pelo aplicativo Cetesb Mobile, disponível em https://appmonitoratiete.orbty.com.br/index.html para Android e iOS, e pela plataforma de monitoramento da Companhia.
Sabino foi escolhido para receber o projeto-piloto por registrar episódios recorrentes de floração de algas, contar com uma estrutura consolidada de monitoramento ambiental e abrigar uma das praias de água doce mais populares da região.
Os primeiros resultados deverão ser observados nos próximos 60 dias. As informações obtidas durante a operação serão utilizadas para avaliar o desempenho da tecnologia nas condições do Rio Tietê e poderão orientar futuras iniciativas em outros corpos d’água com características semelhantes.



Por Núcleo de Planejamento e Comunicação Integrada do CBH-BT.
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