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Tecnologia com ondas ultrassônicas será usada para conter avanço das algas no Rio Tietê

Projeto-piloto em Sabino instalará 14 boias inteligentes para monitoramento em tempo real e controle das florações de algas em área equivalente a mais de 130 campos de futebol

Tecnologia utilizada em mais de 50 países será testada pelo Governo de São Paulo para no intuito de reduzir a formação da chamada “nata verde” em um projeto piloto trecho do no baixo curso do  rio Rio Tietê. O projeto será implantado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), no Córrego do Esgotão, em Sabino (SP), área com histórico de florações intensas de cianobactérias que formam manchas esverdeadas na superfície da água. 

A formação dessas manchas está associada ao excesso de nutrientes presentes na água, fenômeno conhecido como tecnicamente denominado de eutrofização. Em condições favoráveis, como altas temperaturas e maior incidência de luz solar, ocorre uma proliferação acelerada de algas e cianobactérias. Além do impacto visual, esses episódios podem comprometer a qualidade da água e afetar a vida aquática, atividades como pesca, piscicultura, esportes náuticos e lazer.

O objetivo do projeto é reduzir a proliferação das algas sem o uso de produtos químicos e sem causar danos ao ecossistema aquático. A iniciativa prevê a instalação de 14 boias inteligentes interligadas, capazes de emitir ondas ultrassônicas e monitorar continuamente a qualidade da água.

O diretor-presidente da Cetesb, Thomaz Toledo, explicou a escolha de Sabino para receber o projeto-piloto. “Sabino foi escolhida porque reúne características que a tornam um ambiente ideal para testar e avaliar essa tecnologia em condições reais. A região apresenta histórico de florações de algas, conta com uma base consistente de dados de monitoramento e possui relevância para atividades de lazer, turismo e pesca. Isso permite que os resultados sejam acompanhados tanto do ponto de vista ambiental quanto dos benefícios percebidos pela população”, afirmou.

A instalação do sistema está prevista para agosto. A expectativa é que os primeiros resultados possam ser observados cerca de 90 dias após o início da operação, prazo considerado necessário para avaliar os efeitos da tecnologia sobre a proliferação de algas na área monitorada.

A área abrangida pelo projeto possui cerca de 960 mil metros quadrados, o equivalente a mais de 130 campos de futebol, e volume estimado de 7 milhões de metros cúbicos de água, suficiente para encher aproximadamente 2.800 piscinas olímpicas.

A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, destacou que a iniciativa integra um conjunto de ações. “Temos avanços consistentes na recuperação do Tietê e seus afluentes, e essa nova frente de combate à proliferação de algas por meio do uso de tecnologia ultrassônica se soma a outras ações em andamento, como saneamento, desassoreamento, limpeza, conservação, fiscalização e monitoramento”, enfatizou.

Tecnologia movida a energia solar

Desenvolvida na Holanda, a tecnologia foi escolhida por combinar baixo impacto ambiental e capacidade de atuação em grandes áreas. As boias emitem ondas ultrassônicas em diferentes frequências para interferir na capacidade de flutuação das algas. Com isso, elas encontram mais dificuldade para permanecer próximas à superfície, onde recebem luz solar para realizar a fotossíntese, ou seja, condições ideais para a reprodução desses organismos.

Ao migrarem para camadas mais profundas da água, onde a incidência de luz solar é menor, essas espécies tendem a ter seu ciclo de vida interrompido, o que reduz a formação das manchas esverdeadas. Cada boia tem um alcance aproximado de 500 metros de diâmetro e cobre uma área equivalente a cerca de 28 campos de futebol.

Com investimento de aproximadamente R$ 9 milhões, o sistema utilizará inteligência embarcada com algoritmos capazes de ajustar automaticamente a frequência e a intensidade das ondas conforme as condições observadas na água.

Além do controle das algas, os equipamentos funcionarão como estações automáticas de monitoramento ambiental. Sensores instalados nas boias acompanharão continuamente parâmetros como oxigênio dissolvido, pH, turbidez, temperatura, clorofila e ficocianina.

O projeto também contará com uma estação meteorológica para cruzamento de informações sobre chuva, vento e temperatura, permitindo antecipar condições favoráveis ao surgimento das florações. Toda a operação será alimentada por energia solar e baterias de lítio.

Matéria adaptada pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Baixo Tietê (CBH-BT) a partir de conteúdo publicado pela Semil.

Por Núcleo de Planejamento e Comunicação Integrada do CBH-BT.

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