A superfície de importantes deltas de rios ao redor do mundo está afundando mais rapidamente do que a elevação do nível do mar, ampliando o risco de inundações e perda de áreas costeiras. O fenômeno atinge ao menos 18 dos 40 maiores deltas globais, incluindo o do rio Amazonas, no Brasil, segundo estudo conduzido pela Universidade da Califórnia em Irvine (EUA), com dados coletados entre 2014 e 2023.
Entre os casos mais críticos estão os deltas dos rios Chao Phraya, na Tailândia, Brantas, na Indonésia, e Amarelo, na China, que registram taxas médias de subsidência próximas de 8 milímetros por ano, cerca do dobro da elevação global do nível do mar. No Brasil, o delta do Amazonas, que se estende pelo litoral do Pará e do Amapá, apresenta rebaixamento mais moderado, estimado em 0,5 milímetro anual.
O estudo aponta que a subsidência resulta da combinação de fatores naturais e antrópicos. A exploração intensiva de aquíferos, o peso do adensamento urbano somados à erosão comprimem o solo de forma lenta e progressiva, favorecendo o rebaixamento das áreas deltáicas e aumentando sua vulnerabilidade a eventos extremos, como inundações recorrentes. Outra consequência é o possível recuo da linha costeira, caso as áreas de terra firme tornem-se permanentemente tomada pelas águas, implicando na remoção de pessoas residentes nessas faixas.
Conexões climáticas
Alterações no equilíbrio ambiental da Amazônia podem produzir efeitos indiretos em outras regiões do país, sobretudo no regime de chuvas. A dinâmica dos chamados “rios voadores”, correntes atmosféricas que transportam umidade da floresta para o Centro-Sul, influencia diretamente bacias hidrográficas estratégicas, como a do Baixo Tietê, em São Paulo.
A intensificação de processos como degradação ambiental e mudanças hidrológicas na Amazônia tende a desorganizar esse fluxo de umidade, com impacto sobre a regularidade das chuvas.
O resultado pode ser a ampliação de períodos de seca, instabilidade hídrica e efeitos diretos sobre a produção agrícola e a gestão de reservatórios, afetando todo setor/serviço relacionados (abastecimento público, hidrovia, geração de energia, pesca, outros).
O que são deltas de rios

Deltas são formações geomorfológicas situadas na foz de grandes rios, onde a perda de velocidade do fluxo favorece o acúmulo de sedimentos como areia, argila e matéria orgânica. Esse processo dá origem a áreas planas, recortadas por múltiplos canais, geralmente associadas a solos férteis e alta disponibilidade hídrica.
Atualmente, os deltas concentram 10 das 34 megacidades do mundo e abrigam cerca de 500 milhões de pessoas, o que amplia os riscos associados ao avanço do mar e ao afundamento do solo.
CBH Baixo Tietê
Os Comitês de Bacia Hidrográfica (CBHs) do Estado de São Paulo foram criados pela Lei Estadual nº 7.663/1991, popularmente conhecida como “Lei de Águas Paulista”, que instituiu a Política Estadual de Recursos Hídricos e estabeleceu o Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SIGRH), do qual os Comitês são parte integrante.
O Comitê da Bacia Hidrográfica do Baixo Tietê (CBH – BT) foi instalado em 26 de agosto de 1994, sendo o segundo comitê de bacia hidrográfica criado no Estado de São Paulo.
Composto por uma plenária tripartite, ou seja, Estado, prefeituras e sociedade civil, conta com 33 membros que representam 42 municípios da foz do Rio Tietê. Sua sede está localizada no SP ÁGUAS, em Birigui, onde funciona a Secretaria Executiva.
Por Núcleo de Planejamento e Comunicação Integrada do CBH-BT.
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