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Aquífero Guarani: o imenso reservatório de água que se formou sob a América do Sul

Formado ao longo de milhões de anos, o Aquífero Guarani é uma das maiores reservas de água subterrânea do mundo e essencial para a segurança hídrica da América do Sul

Debaixo do solo de parte da América do Sul existe um gigantesco reservatório natural de água doce que se formou ao longo de milhões de anos. Trata-se do Aquífero Guarani, um dos maiores sistemas de água subterrânea do planeta e considerado uma das mais importantes reservas estratégicas de água doce do mundo.

O sistema se estende por cerca de 1,2 milhão de quilômetros quadrados, abrangendo territórios do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, segundo dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e de estudos hidrogeológicos da Universidade de São Paulo (USP).

Grande parte dessa área, aproximadamente 840 mil quilômetros quadrados, está localizada em território brasileiro. Estima-se que o aquífero armazene cerca de 37 mil quilômetros cúbicos de água, volume suficiente para abastecer milhões de pessoas por longos períodos, de acordo com pesquisas divulgadas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e por instituições científicas que estudam recursos hídricos subterrâneos.

Localização do Aquífero Guarani no Brasil

Considerado um dos maiores reservatórios de água subterrânea do mundo, o Aquífero Guarani já chegou a ser apontado como o maior sistema aquífero conhecido em volume de água armazenada. Reportagens e levantamentos divulgados por veículos de jornalismo ambiental, como o ECOA, destacam a importância estratégica desse sistema para o abastecimento de água, a agricultura e a segurança hídrica da região.

Segundo o hidrogeólogo Ricardo Hirata, vice-diretor do Centro de Pesquisas de Águas Subterrâneas da Universidade de São Paulo (USP), um aquífero é um grande reservatório natural localizado abaixo da superfície dos continentes. A água se acumula nos poros dos sedimentos e nas fraturas das rochas que compõem essas formações geológicas. Estudos em hidrogeologia indicam que cerca de 97% de toda a água doce líquida disponível no planeta está armazenada em aquíferos subterrâneos, desconsiderando oceanos e geleiras.

A forma como a água se distribui nessas formações é determinante para definir a produtividade de um aquífero. Nesse processo, o elemento mais importante não é a água em si, mas o tipo de rocha que a abriga. As características da rocha, especialmente porosidade e permeabilidade, determinam a quantidade de água que pode ser armazenada e também a profundidade necessária para a perfuração de poços de captação.

Formação de um aquífero

Os aquíferos se formam ao longo de milhares ou até milhões de anos por meio da infiltração da água da chuva no solo. Ao penetrar no terreno, essa água atravessa camadas de areia, sedimentos e rochas porosas, ocupando os pequenos espaços existentes entre os grãos minerais. Com o passar do tempo, esses espaços se saturam e passam a armazenar grandes volumes de água subterrânea, formando reservatórios naturais abaixo da superfície.

Ao contrário do que se imagina, a água presente em um aquífero não permanece completamente parada. No ambiente subterrâneo, ela também se movimenta lentamente através das rochas e sedimentos. Esse fluxo pode variar de poucos metros por ano até alguns metros por dia, dependendo das características geológicas da região.

Como resultado desse movimento, parte da água retorna à superfície em áreas de descarga, alimentando rios, nascentes e outros corpos d’água superficiais, processo fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas e do ciclo hidrológico.

Aquífero Guarani

O Aquífero Guarani é formado principalmente por duas grandes formações geológicas, Botucatu e Piramboia, compostas por arenitos altamente porosos que favorecem o armazenamento de água. Essas rochas sedimentares foram depositadas há cerca de 200 milhões de anos, durante o período geológico conhecido como Jurássico, quando extensas áreas da região eram dominadas por desertos.

De acordo com o pesquisador Ricardo Hirata, no estado de São Paulo o reservatório era inicialmente conhecido como Aquífero Botucatu-Piramboia, em referência às formações geológicas que o compõem. Durante décadas, geólogos e hidrogeólogos já reconheciam o grande potencial hídrico dessas rochas. No entanto, apenas a partir de 1996 estudos científicos mais aprofundados começaram a mapear com precisão a extensão do reservatório, identificar as unidades geológicas envolvidas e verificar se todas estavam interligadas.

Em 2003, pesquisas realizadas por instituições científicas da região consolidaram a compreensão de que essas formações estavam conectadas, confirmando a existência de um grande sistema aquífero contínuo. Foi nesse período que se consolidou o nome Aquífero Guarani, escolhido em homenagem aos povos indígenas guaranis que historicamente habitaram as áreas onde o sistema subterrâneo está localizado.

A água é potável?

A confirmação de que os reservatórios subterrâneos estavam interligados, estendendo-se do Uruguai ao Mato Grosso e do norte da Argentina até áreas próximas ao litoral paulista, despertou grande interesse científico, político e econômico. O enorme volume de água armazenado levou alguns especialistas a estimar, em determinados momentos, que o sistema poderia teoricamente suprir o consumo mundial de água por até 200 anos. No entanto, pesquisadores ressaltam que essa estimativa é apenas ilustrativa e não representa uma possibilidade real de exploração, já que o uso sustentável do aquífero depende de controle e gestão adequados.

Apesar de sua grande importância, a qualidade da água do Aquífero Guarani não é uniforme em toda sua extensão. Em grande parte do sistema, a água apresenta baixa salinidade e é considerada potável, podendo ser utilizada para abastecimento humano após tratamento básico. Entretanto, estudos hidrogeológicos apontam que em algumas regiões há presença elevada de flúor ou sais minerais, o que pode limitar seu consumo direto.

Em áreas localizadas na Argentina e no Uruguai, por exemplo, existem porções extensas do sistema onde a água apresenta maior salinidade, tornando-se inadequada para consumo humano sem tratamento específico. Essas variações ocorrem devido às diferenças geológicas e às condições naturais de cada região do aquífero.

Fontes:

https://ecoa.org.br/aquifero-guarani-como-se-formou-esse-imenso-oceano-que-esta-sob-nossos-pes/


https://www.mulher.com.br/atualidades/ciencia/aquifero-guarani-como-se-formou-esse-imenso-oceano-que-esta-sob-nossos-pes


https://www.oas.org/dsd/waterresources/pastprojects/guarani_eng.asp?utm_source=chatgpt.com

https://www.gov.br/mma/pt-br/noticias/brasil-argentina-paraguai-e-uruguai-fazem-balanco-do-projeto-aquifero-guarani?utm_source=chatgpt.com

https://en.wikipedia.org/wiki/Guarani_Aquifer?utm_source=chatgpt.com

Por Núcleo de Planejamento e Comunicação Integrada do CBH-BT.

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