spot_img
InícioMatériasBrasil perdeu 400 mil hectares de superfície de água e crise hídrica...

Brasil perdeu 400 mil hectares de superfície de água e crise hídrica acende alerta no país

Estudo do MapBiomas mostra redução acelerada de rios e reservatórios, enquanto especialistas apontam caminhos para garantir o abastecimento

O Brasil perdeu cerca de 400 mil hectares de superfície de água apenas no último ano. Para se ter uma ideia do tamanho dessa perda, a área é mais de duas vezes maior que a cidade de São Paulo. O dado integra o levantamento mais recente do MapBiomas, apresentado no relatório técnico Panorama da Superfície de Água do Brasil 1985–2024, publicado em 2025, e revela um cenário preocupante de redução de rios, lagos e reservatórios em diversas regiões do país.

Quando analisado ao longo do tempo, o problema se mostra ainda mais grave. De acordo com o relatório, o país já perdeu mais de 2 milhões de hectares de água natural desde 1985. Na prática, isso significa menos água disponível para consumo humano, produção de alimentos, geração de energia e abastecimento das cidades.

Os impactos dessa redução já são sentidos diretamente pela população. Na Região Metropolitana de São Paulo, os sete mananciais responsáveis pelo abastecimento de milhões de pessoas operam, atualmente, com média de apenas 26,42% da capacidade de armazenamento, segundo dados do Sistema Integrado Metropolitano (SIM).

O cenário resulta da combinação entre a maior seca dos últimos anos, uma onda de calor recorde e o aumento do consumo de água, que chegou a crescer até 60% em alguns pontos da região.

O alerta para os próximos anos é ainda maior. Projeções do Boletim nº 111 do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indicam que, se as chuvas continuarem abaixo da média por causa do fenômeno La Niña — marcado pelo resfriamento das águas do oceano —, o Sistema Cantareira pode chegar a apenas 18% do volume útil em março de 2026. No mesmo período de 2025, o nível estava próximo de 60%, o que mostra a velocidade com que a crise hídrica pode se agravar.

Aquecimento Global

Dados do observatório europeu Copernicus confirmam que, em 2024, o mundo ultrapassou a marca de 1,5°C de aumento da temperatura média global. Esse aquecimento tem intensificado as chamadas “secas-relâmpago”, quando o calor acelera a evaporação da água e seca o solo em pouco tempo, conforme alertas do Cemaden.

Além dos impactos ambientais, o calor extremo afeta diretamente a saúde da população e a economia. As altas temperaturas elevam a incidência de doenças, reduzem a produtividade agrícola e comprometem a renda de trabalhadores e produtores. Especialistas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), dos Estados Unidos, e do CPTEC/INPE, no Brasil, explicam que a transição de um El Niño forte — fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do oceano — para a atual fase de La Niña agravou o cenário ao combinar calor intenso com chuvas irregulares no Sudeste, dificultando a recuperação dos sistemas de abastecimento público.

A crise hídrica não se restringe ao Estado de São Paulo. Dados do Monitor de Secas, da Agência Nacional de Águas (ANA), indicam o avanço da seca grave em regiões como o Vale do Paraíba e Minas Gerais, enquanto o Rio de Janeiro já enfrenta estiagem em todo o seu território. No interior paulista, em regiões próximas ao Baixo Tietê, alguns municípios passaram a adotar o sistema de rodízio no abastecimento de água, como é o caso de Bauru.

Diante desse cenário, especialistas apontam os Comitês de Bacias Hidrográficas como parte fundamental da resposta às crises de abastecimento. Esses colegiados atuam no planejamento e na gestão dos recursos hídricos com base nas regiões hidrográficas, contribuindo para a prevenção de problemas e a proteção do fornecimento de água à população.

Os comitês também exercem papel estratégico na articulação institucional. Ao reunir representantes do poder público, companhias de saneamento, usuários de recursos hídricos e a sociedade civil, constituem um espaço permanente de diálogo para pactuar regras de operação dos mananciais, definir restrições temporárias de uso e alinhar estratégias de contingência de forma transparente e tecnicamente fundamentada.

Ao priorizar investimentos em projetos estratégicos e estruturantes, os comitês atuam na proteção dos mananciais por meio de ações como a recuperação de nascentes, a preservação de matas ciliares e a proteção de áreas de recarga dos aquíferos. Essas iniciativas favorecem a infiltração da água no solo e contribuem para o controle do escoamento superficial. Nesse contexto, programas de educação ambiental desempenham papel estratégico e de longo prazo, ao estimular o uso responsável da água e reforçar a importância da preservação desse recurso essencial.

CBH Baixo Tietê

Os Comitês de Bacia Hidrográfica (CBHs) do Estado de São Paulo foram criados pela Lei Estadual nº 7.663/1991, popularmente conhecida como “Lei de Águas Paulista”, que instituiu a Política Estadual de Recursos Hídricos e estabeleceu o Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SIGRH), do qual os Comitês são parte integrante.

O CBH Baixo Tietê foi instalado em 26 de agosto de 1994, sendo o segundo comitê de bacia hidrográfica criado no Estado de São Paulo.

Composto por uma plenária tripartite, ou seja, Estado, prefeituras e sociedade civil, conta com 33 membros que representam 42 municípios da foz do Rio Tietê. Sua sede está localizada no SP ÁGUAS, em Birigui, onde funciona a Secretaria Executiva.

Por Núcleo de Planejamento e Comunicação Integrada do CBH-BT.

Para mais informações, acesse as redes sociais do Comitê Baixo Tietê no InstagramFacebook e YouTube.

Leia Mais

Câmaras Técnicas

Mais Lidas