Um estudo com investimento previsto de R$ 7 milhões vai mapear as principais fontes de poluição da Bacia do Alto Tietê e apontar medidas para recuperar a qualidade da água do rio. A iniciativa foi oficializada pelo Consórcio Intermunicipal da Região Oeste Metropolitana de São Paulo (CIOESTE), em Pirapora do Bom Jesus, por meio de um Termo de Cooperação Técnica que reúne a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), municípios e parceiros técnicos.
A iniciativa ocorre em um cenário de contaminação identificado ao longo de todo o Rio Tietê. A Expedição Tietê 2025, realizada pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com pesquisadores da Unifesp, UFABC, CENA/USP e USCS, percorreu mais de 1.100 quilômetros, da nascente, em Salesópolis, até a foz, no Rio Paraná, em Itapura.
A pesquisa encontrou microplásticos nos 14 pontos de coleta analisados, além de 25 tipos de agrotóxicos e 16 substâncias relacionadas a medicamentos e drogas ilícitas. Também foram identificadas bactérias, parasitas e metais acima dos limites estabelecidos pela legislação em diferentes trechos.
Os resultados indicam que a poluição do Tietê está relacionada a uma combinação de fontes, como lançamento de esgoto doméstico, atividades agrícolas, contaminantes industriais, resíduos plásticos e compostos químicos associados ao consumo e descarte de produtos.
Diagnóstico
O novo estudo será concentrado no Alto Tietê, desde as nascentes até a saída da Região Metropolitana de São Paulo, em Pirapora do Bom Jesus. A cidade apresenta alguns dos efeitos mais visíveis da degradação do rio, como espuma, odores e acúmulo de resíduos, além de impactos sobre atividades turísticas e econômicas.
Coordenado pela ANA, o trabalho deverá identificar as principais fontes de contaminação, avaliar os impactos ambientais, sociais e econômicos e elaborar um portfólio de intervenções prioritárias. A expectativa é que os dados sirvam de base para futuras obras e políticas públicas de recuperação do rio.
Presidente do CIOESTE e prefeito de Pirapora do Bom Jesus, Gregorio Maglio afirmou que o estudo representa um avanço na busca por soluções para um problema histórico do Tietê. A proposta foi incorporada ao plano federal de revitalização dos recursos hídricos e poderá orientar ações futuras em outros trechos do rio.
O Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), aprovado em 2022, define a implementação de ações voltadas à gestão e à revitalização dos recursos hídricos, com metas estabelecidas para curto prazo (2026), médio prazo (2030) e longo prazo (2040). Acesse o Plano Nacional de Recursos Hídricos.
Reflexos no Baixo Tietê

Embora o estudo tenha como foco o Alto Tietê, os resultados podem ter reflexos em toda a extensão do rio. A redução das cargas de poluentes lançadas no trecho mais alto contribui para melhorar as condições da água que segue em direção ao interior paulista e, posteriormente, ao Rio Paraná.
Para o Baixo Tietê, onde estão municípios que dependem do rio para atividades como abastecimento, pesca, turismo e lazer, medidas de redução da poluição na origem podem representar um avanço na qualidade dos recursos hídricos.
Segundo a ecóloga, Adriana de Castro Silva, representante da sociedade civil no CBH-BT, a identificação e responsabilização das fontes poluidoras é o primeiro passo para recuperação do rio Tietê. “Todavia, a revitalização do rio Tietê compreende um conjunto de medidas estruturais e normativas, a título de exemplo pode-se citar a proteção das nascentes e restauração das matas ciliares, eficiência dos serviços de saneamento, fiscalização e monitoramento da qualidade das águas, para que o rio Tietê seja uma fonte perene do uso múltiplo da água”, destacou.
Por Núcleo de Planejamento e Comunicação Integrada do CBH-BT.
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