Pesquisadores da Instituição Oceanográfica de Woods Hole liberaram cerca de 62 mil litros de hidróxido de sódio diluído nas águas do Golfo do Maine, nos Estados Unidos. A ação, realizada no segundo semestre de 2025, fez parte de um teste para avaliar novas estratégias de combate à acidificação dos oceanos e investigar o potencial da técnica para ampliar a capacidade do mar de absorver dióxido de carbono da atmosfera.
O experimento buscou obter dados práticos sobre o comportamento de substâncias alcalinas em mar aberto, superando algumas das limitações encontradas em testes de laboratório e simulações computacionais. O objetivo principal foi verificar se o aumento da alcalinidade da água permite que os oceanos absorvam maiores volumes de gás carbônico sem provocar impactos negativos ao ecossistema local.
A operação foi autorizada pelo governo federal dos Estados Unidos e utilizou uma área do Golfo do Maine para acompanhar, em condições reais, a dispersão do produto e seus efeitos sobre a química da água e os organismos marinhos.
Como funciona
A adição de hidróxido de sódio de alta pureza altera a química da água e favorece a transformação do carbono dissolvido em bicarbonato, uma substância estável e naturalmente presente nos oceanos. A reação pode aumentar a capacidade da superfície marinha de absorver dióxido de carbono da atmosfera e, ao mesmo tempo, reduzir a acidez da água, condição que pode prejudicar organismos como corais e moluscos.
Para acompanhar o deslocamento do produto, os pesquisadores adicionaram à mistura um corante especial chamado rodamina. A coloração rosa facilitou o monitoramento da área por meio de satélites, drones e veículos subaquáticos durante cinco dias de observação. Sensores instalados na região também mediram variações de pH, temperatura e salinidade, permitindo acompanhar o comportamento da substância na água.

Impactos e desafios
Os resultados preliminares indicaram que a intervenção não provocou impactos negativos na vida marinha local. Também não foram registradas alterações na saúde de bactérias, organismos do plâncton ou larvas de lagosta expostos ao produto durante o experimento.
Os níveis de pH retornaram à faixa normal dentro do período previsto pelos pesquisadores, indicando que a substância se dissipou conforme os modelos utilizados no planejamento do teste. Apesar dos resultados iniciais, a aplicação da tecnologia em escala capaz de produzir efeitos relevantes sobre o clima global ainda envolve desafios científicos, ambientais e operacionais.
O experimento realizado no Maine é considerado um ponto de partida para avaliar se o aumento da alcalinidade dos oceanos poderá, no futuro, contribuir para a remoção de dióxido de carbono da atmosfera e atuar como uma estratégia complementar à redução das emissões de gases de efeito estufa.

Por Núcleo de Planejamento e Comunicação Integrada do CBH-BT.
Para mais informações, acesse as redes sociais do Comitê Baixo Tietê no Instagram, Facebook e YouTube.












